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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Hipocrisia - a rainha suprema da humanidade

Faz uns poucos anos, estava no meu bar favorito, com o colaborador-mor desta tranqueira, em plena quarta ou quinta à noite, bebendo, jogando conversa fora com ele e com o dono do estabelecimento. Eis que a conversa entra no assunto falar de uma musa do rock brasileiro e nós dois, apesar de grandes fãs dela - tenho disco, assisti a shows, etc. etc. - criticávamos certas posturas arrogantes e cheias de ressentimento que ela teve durante a carreira,com outros músicos, ex-colaboradores. Aí, ocorre aquilo que não esperávamos: também estava no bar, numa mesa mais afastada, com a cara de bunda de sempre, um sujeito que protagonizou algumas postagens aqui no Noites: é o cara que ficou anos enroscado com uma mulher que era autêntica chave de cadeia, uma louca daquelas, que o humilhava seguidamente em público e ele continuava atrás dela; algumas das cenas lamentáveis que aprontaram no bar e nos arredores foram aqui registradas. Pois não é que o tipinho estava acompanhando nossa conversa e de repente se levantou, veio até nós e aos brados começou a nos ofender de 'machistas', 'escrotos', etc.que a pobre coitada da musa do rock foi sempre vítima dos homens escrotos e nós, claro, pondo a culpa nela. Passado o espanto, devolvemos na mesma moeda e aos berros o esculachamos e praticamente o expulsamos do bar, sob o olhar complacente do dono, que depois confidenciou que estava farto daquele sujeito no bar, sempre incomodando os outros clientes...            

(Se eu já tinha relatado este evento aqui, a repetição serve para compreender toda a postagem)

Corta para fins de junho de 2026

Está este tipinho que vos escreve voltando para casa num sábado, começo da noite. Em um lugar qualquer da zona oeste, sobe em um ônibus cujo destino é o Centro da cidade. No ponto seguinte, quem sobe? Ele mesmo, o defensor das roqueiras indefesas e injustiçadas, acompanhado de dois amigos do naipe dele - roqueiros velhuscos típicos do Centro de São Paulo e Galeria do Rock.     

Passo a acompanhar a conversa deles - como qualquer pessoa normal, gosto de ouvir conversas alheias no transporte público.  Eis que ele, o defensor 'das mina', passa a relatar um pequeno entrevero que tivera, pouco tempo antes, com uma chamada 'mulher da vida'. Para resumir a patética história que ele contou de boca cheia aos dois amigos, numa noite qualquer, vagando sem rumo, puxou conversa com uma dama da noite que estava parada em frente a um dos lupanares sobreviventes da Rua Augusta e a moça, seduzida pelo papo galante dele, aceitou ir até uma famosa lanchonete, próxima ao Anhangabaú. Após pagar lanche, gastar saliva e perceber que não iria conseguir de graça os favores sexuais da decente moça (quá quá quá quá!!!), ele a dispensa e anuncia que está indo embora. A moça fica indignada e retruca: quer dizer que vou voltar até o meu ponto a pé? Cê não vai chamar um Uber pra mim? (Mais quá quá quá quá!!). Ele finaliza com a seguinte frase: 'Você veio até aqui a pé, pode voltar a pé'. E deixou a moçoila, digamos,  com certa licença poética exagerada, na rua da amargura.

O que me chamou a atenção, caros leitores, foram os termos que ele usou durante o relato e principalmente depois, para se referir e (des)qualificar a garota: uma sucessão de termos machistas, um pior que o outro, rebaixando a moça por ser prostituta, que merecia ser tratada com desprezo por ser do 'job' e por aí afora.                                                                                                                                        

Eu, em silêncio, no fundo do ônibus, ouvindo essa ladainha disparada por um tipo que quis me dar lição de moral por criticar certa cantora famosa, lembrei de imediato algo que me ensinaram muito anos atrás:

A hipocrisia é a suprema rainha, a governante máxima da humanidade; todo mundo é falso e hipócrita neste mundo podre e é obrigado a sê-lo. Mas alguns são súditos bem mais convictos e dedicados que a maioria da pessoas...

Saudações canalhas e cafajestes                                      

sábado, 4 de julho de 2026

Dica cultural de AlexB

 

 
Mais uma obra-prima de um dos maiores cineastas da história, o francês Eric Rohmer, O Amor à Tarde é uma joia que mostra, de forma comedida, sem sentimentalismos, seca e devastadora como o casamento e a ideia de felicidade, de que é possível ser feliz nesta instituição, são totalmente incompatíveis, combinam tanto quanto matéria e antimatéria. 
 
Assistam o quanto antes.
 
Saudações canalhas e cafajestes 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Descobertas feitas em mesas de bar e registradas em guardanapos - CXLIX

 Atrás de todo pai de família machão, viril, conservador, decente, poderoso, violento e arbitrário, muitas vezes existe uma mulher dando guarida, passando pano, ensinando os filhos a se submeterem e perpetuarem toda essa selvageria, colaborando ativa e tacitamente para a continuidade do patriarcado mais feroz.

Este escriba, em um momento de iluminação na mesa de um bar qualquer, numa noite qualquer. 

 

domingo, 21 de junho de 2026

O encontro dos três tenores bêbados - Ou dos três patetas Ou ainda: três velhos amigos se encontram depois de longo tempo - parte II

     Como prometido e anunciado, segue a continuação do relato dos três amigos que se encontraram após longo tempo.   

     Esta parte se centrará no rumo que a conversa tomou a partir de certo momento, a saber, nós três passamos a nos lamentar sobre agressividade, para não dizer ódio, que parte do mundo atual dirige a seres desprezíveis como nós, que ousam viver sem nos submetermos à mediocridade politicamente correta, às patrulhas ideológicas lacradoras insuportáveis que a tudo, tudo, tudo julgam, apontam o dedo e acusam, que ousamos tentarmos ser racionais em meio a uma verdadeira psicose coletiva!         

     Mas sobre o que exatamente nos queixávamos? Primeiro, que dois de nós (não indicarei quem, para não dar pista alguma de nossas identidades) estamos nos relacionando com mulheres bem mais jovens que nós, com praticamente metade de nossa idade. Ambas essas mulheres já eram maiores de idade, independentes e vacinadas quando começaram esses relacionamentos, mas somos acusados de sermos praticamente pedófilos, canalhas da pior espécie, abusadores de mocinhas inocentes (já fomos chamados assim, acreditem; um de nós foi excluído de um grupo de pesquisa acadêmica por isso!).    

    Outra queixa que destilamos, enquanto a música rolava naquela casa noturna decadente e as cervejas eram esvaziadas: a hostilidade aberta de pessoas queridas por nós, todas jovens - filha(o), sobrinha(s/os), que, inclusive pelo motivo citado acima, mas não só, não cessam de nos chamar de velhos reacionários, machistas (este termo virou um mantra na boca da garotada; confesso que já me chamaram disso com alegações tão insanas e imbecis para tal que, hoje, dependendo do(a) demente que dirige essa pecha a mim, assumo com certo orgulho!)       

   Em nossa defesa, afirmo categoricamente: nenhum de nós é um machista, pelo menos consciente. Sabemos que recebemos uma educação que propaga essa ideia, mas tanto eu quanto os outros dois tentamos, com grande sucesso, extirpá-la de nós mesmos e respeitar mulheres, como muitas reconhecem (como já relatei aqui, já me relacionei, inclusive a sério, com feministas ativistas e convictas. O que vocês acham? Que eram umas coitadinhas inocentes que foram enganadas por este monstro??) Mas um bando de malucas e doidos da geração Z decidiram que nada disso escrito acima é verdade e ai de nós por discordarmos!

   Esta postagem soa a choradeira de tiozão oprimido que não consegue aceitar as mudanças do mundo e gostaria que tudo continuasse como antes, quando tinha seus tais 'privilégios'? Pode ser. Se ficou incomodado(a), é só não acessar mais essa tranqueira!

Saudações canalhas e cafajestes                                        

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Mulheres, sempre à nossa frente

 Este sujeitinho que vos escreve já tinha rascunhado a parte 2 do relato do encontro dos três amigos - vulgos três tenores bêbados na noite paulistana - mas foi forçado a adiar a publicação do texto por uma semana, dado o diálogo que teve, via telefone, esta semana, com sua dama favorita e que ele percebeu de imediato, tinha de ser aqui registrado.         

Estávamos numa conversa animada, cheia de insinuações, brincadeiras e gracejos, típica de um casal; eis que em dado momento ela disse algo em tom meio de brincadeira, fingindo seriedade, eu meio que fingi que não levei a sério, meio fingi ficar bravo (quem já esteve em um relacionamento de verdade entendeu perfeitamente essa descrição). Ela não titubeou e disparou:         

"Vocês homens são uns tontos, acreditam ou ficam encucados com em tudo que as mulheres falam."   

No que respondi:                

"Tá muito sabida sobre os homens para quem se diz uma mulher decente e pacata. Você na verdade é uma safada!"             

A resposta:          

"Não sou safada, sou apenas informada."       

Caros leitores, o tom com que ela proferiu esta última frase foi a epítome da sagacidade, dubiedade, em suma de toda a habilidade feminina de deixar um homem perturbado, encucado e na dúvida irresolvível se ela estava apenas brincando com minha condição de homem (ser inferior a ela, sempre) ou realmente me enganando...                     

Às eventuais leitoras desta tranqueira:      

Vocês sempre são mais espertas do que nós e sempre nos deixam atarantados, fascinados e perturbados.

Saudações canalhas e cafajestes                          

                                                                                                  

domingo, 7 de junho de 2026

O encontro dos três tenores bêbados - Ou dos três patetas Ou ainda: três velhos amigos se encontram depois de longo tempo - parte I

 Como prometido há semanas (semanas últimas aliás bem conturbadas, daí as postagens espaçadas e em dias pouco usuais, aqui nesta tranqueira), finalmente a primeira parte do relato do encontro dos três amigos de décadas (eu incluso, claro), que não se viam, os três juntos, há vários anos.              

O começo da noitada rápida (cerca de duas horas) foi, claro, totalmente dedicado a ouvir o relato de nosso amigo cujo casamento acabou e se viu, como ele disse 'na merda e se sentindo um merda'. Impressionante como as desditas, brigas, problemas e conflitos que ele viveu na fase final daquele horror chamado casamento se pareciam com os nossos, também divorciados que passaram poucas e boas no final de nossa incursão nessa instituição tão podre e escrota...Particularmente digno de nota, no começo da nossa conversa, foi sua revelação das 'regras' que a hoje sua digníssima ex-esposa quis impor, no tempos que precederam a separação. a saber: 

- Ela podia sair com as amigas, badalar, passar noites fora etc. Ele? Nem pensar! Afinal, ele é homem e 'homem é tudo filho da puta e trai'...

- Se eventualmente ele descobrisse uma escapada dela com outro, ele tinha de entender e perdoar, afinal, se ela o traiu, era sinal que ele estava falhando em alguma coisa (sim, leitores, é isso mesmo que vocês leram).

Nessa parte da conversa, lembrei e citei uma fala antológica, inesquecível de minha , glup, arghhh, ex-esposa, que uma vez me saiu com essa:

    "eu posso dar para outros caras, você não pode nem ver seus amigos, pois ganho mais que você e portanto você tem que ser submisso" (!!!!!!)

 

Gostaram dessa primeira parte? Pois aguardem a continuação.

Saudações canalhas e cafajestes