Faz uns poucos anos, estava no meu bar favorito, com o colaborador-mor desta tranqueira, em plena quarta ou quinta à noite, bebendo, jogando conversa fora com ele e com o dono do estabelecimento. Eis que a conversa entra no assunto falar de uma musa do rock brasileiro e nós dois, apesar de grandes fãs dela - tenho disco, assisti a shows, etc. etc. - criticávamos certas posturas arrogantes e cheias de ressentimento que ela teve durante a carreira,com outros músicos, ex-colaboradores. Aí, ocorre aquilo que não esperávamos: também estava no bar, numa mesa mais afastada, com a cara de bunda de sempre, um sujeito que protagonizou algumas postagens aqui no Noites: é o cara que ficou anos enroscado com uma mulher que era autêntica chave de cadeia, uma louca daquelas, que o humilhava seguidamente em público e ele continuava atrás dela; algumas das cenas lamentáveis que aprontaram no bar e nos arredores foram aqui registradas. Pois não é que o tipinho estava acompanhando nossa conversa e de repente se levantou, veio até nós e aos brados começou a nos ofender de 'machistas', 'escrotos', etc.que a pobre coitada da musa do rock foi sempre vítima dos homens escrotos e nós, claro, pondo a culpa nela. Passado o espanto, devolvemos na mesma moeda e aos berros o esculachamos e praticamente o expulsamos do bar, sob o olhar complacente do dono, que depois confidenciou que estava farto daquele sujeito no bar, sempre incomodando os outros clientes...
(Se eu já tinha relatado este evento aqui, a repetição serve para compreender toda a postagem)
Corta para fins de junho de 2026
Está este tipinho que vos escreve voltando para casa num sábado, começo da noite. Em um lugar qualquer da zona oeste, sobe em um ônibus cujo destino é o Centro da cidade. No ponto seguinte, quem sobe? Ele mesmo, o defensor das roqueiras indefesas e injustiçadas, acompanhado de dois amigos do naipe dele - roqueiros velhuscos típicos do Centro de São Paulo e Galeria do Rock.
Passo a acompanhar a conversa deles - como qualquer pessoa normal, gosto de ouvir conversas alheias no transporte público. Eis que ele, o defensor 'das mina', passa a relatar um pequeno entrevero que tivera, pouco tempo antes, com uma chamada 'mulher da vida'. Para resumir a patética história que ele contou de boca cheia aos dois amigos, numa noite qualquer, vagando sem rumo, puxou conversa com uma dama da noite que estava parada em frente a um dos lupanares sobreviventes da Rua Augusta e a moça, seduzida pelo papo galante dele, aceitou ir até uma famosa lanchonete, próxima ao Anhangabaú. Após pagar lanche, gastar saliva e perceber que não iria conseguir de graça os favores sexuais da decente moça (quá quá quá quá!!!), ele a dispensa e anuncia que está indo embora. A moça fica indignada e retruca: quer dizer que vou voltar até o meu ponto a pé? Cê não vai chamar um Uber pra mim? (Mais quá quá quá quá!!). Ele finaliza com a seguinte frase: 'Você veio até aqui a pé, pode voltar a pé'. E deixou a moçoila, digamos, com certa licença poética exagerada, na rua da amargura.
O que me chamou a atenção, caros leitores, foram os termos que ele usou durante o relato e principalmente depois, para se referir e (des)qualificar a garota: uma sucessão de termos machistas, um pior que o outro, rebaixando a moça por ser prostituta, que merecia ser tratada com desprezo por ser do 'job' e por aí afora.
Eu, em silêncio, no fundo do ônibus, ouvindo essa ladainha disparada por um tipo que quis me dar lição de moral por criticar certa cantora famosa, lembrei de imediato algo que me ensinaram muito anos atrás:
A hipocrisia é a suprema rainha, a governante máxima da humanidade; todo mundo é falso e hipócrita neste mundo podre e é obrigado a sê-lo. Mas alguns são súditos bem mais convictos e dedicados que a maioria da pessoas...
Saudações canalhas e cafajestes

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