"Bêbado desconhecido que aparecer no meu bar eu expulso!! No meu bar só aceito meus bêbados, os que eu já conheço as porra-louquices e manias!!!"
O dono do bar favorito deste escriba, mostrando sua sagacidade usual.
"Bêbado desconhecido que aparecer no meu bar eu expulso!! No meu bar só aceito meus bêbados, os que eu já conheço as porra-louquices e manias!!!"
O dono do bar favorito deste escriba, mostrando sua sagacidade usual.
Há algum tempo, andando pelo Centro, mais especificamente na região da Liberdade, uma moça cruzou meu caminho. Eu ia numa direção, ela na oposta, assim, ficamos frente a frente, por um átimo de tempo. A aparência, o trajar me chamaram a atenção de imediato: vestido vermelho justo e um pouco decotado, cabelo escuro brilhante armado em um topete elegante, lábios pintados de vermelho vivo. Dirigi um olhar rápido mas direto e preciso a ela.
Bem, o que aconteceu? A sujeita respondeu com um tão rápido e direto olhar quanto, mas de consumados desprezo e arrogância.
Acontece, caros leitores, que a moçoila, apesar de bem aprumada, não era muito bonita, nem de rosto nem de corpo, pelo contrário, diria que até mesmo um tanto feia, mas não se furtou a repelir, com os olhos, o macho desprezível que ousou olhá-la, medi-la.
Essa ocorrência banal me lembrou de algo que conheço, presencio e com o qual esbarro desde o início da minha puberdade, pelo menos: há neste mundo uma miríade gigantesca de mulheres com arrogância demais e beleza e gostosura de menos!
Saudações canalhas e cafajestes
Há algumas semanas, passando pela Vila Buarque, em pleno final de tarde de um meio de semana, topo com uma cena nas mesas de calçada de um bar/lanchonete grande, de esquina: um velho meio nojento, babão, vestido com camisa de manga comprida, calça 'social', mocassins, cabelos longos e meio desleixados, olhar sedento, sentado com duas mocinhas, elas bem perto uma da outra, bebendo e olhando para ele - que estava com o corpo inclinado para elas - com olhares que pareciam conter muitas coisas.
Claro que não parei para observar a cena, segui adiante, mas ela ficou na minha cabeça por um bom tempo: o que se passava? Quem pretendia se aproveitar de quem, portanto, quem era a vítima e que era o(as) predador(as)? O sujeito parecia, com um pouco de imaginação, um lobisomem do Centro, um caçador, farejando vítimas inocentes, mas ponderei se aquelas duas era tão inocentes.
Mais tarde, cheguei a uma conclusão: o mundo e as pessoas se repetem, o que aconteceu, sempre acontecerá, muitas vezes, em muitos lugares. Por mais que algumas coisas sejam reprováveis, indignas e o mundo evolua e não se aceite mais certas coisas antes tidas como naturais, as pessoas são o que são e certas coisas sempre se repetirão, pelos cantos, recessos e quebradas da vida e do mundo, pois felizmente ou não, os rumos que nossa existência toma são imprevisíveis...
P. S. : cerca de uma semana depois, passei em frente ao mesmo bar, no começo da noite. Paradas em frente à porta principal, duas garotas (outras), na casa dos vinte anos, aparência suspeita, ambas com um olhar nada inocente, medindo, olhando, como se esperando uma vítima...
Saudações canalhas e cafajestes
Por vezes, alguma sabedoria e verdade vem de onde não se espera: a placa acima pertence/anuncia um bar, no Centro, diante o qual passo com frequência, mas em que nunca entrei e pretendo nunca entrar, a não ser que alguma dama muito interessante e sedutora me convença disso, uma vez que é reduto de 'santa cecilliers', lacradores, etc. A espirituosa observação me fez sacar o celular e retomar uma série interna do blog que há meses não tinha nova postagem.
Saudações canalhas e cafajestes
"Labuta rima com puta"
Márcia Denser foi uma tremenda escritora paulistana, falecida recentemente, das melhores que este país gerou e uma das autoras favoritas deste escriba, não devendo nada para os grandes escritores homens do Brasil! Ela retratou como nenhuma outra autora os conflitos, problemas e dramas vividos pelas mulheres dos grandes centros urbanos brasileiros dos anos 70 para cá.
Esse trecho, em que ela propositalmente usa uma rima barata, faz parte de um conto do livro cuja capa está acima, conto escrito para desancar o típico machão comedor de classe média que 'dá duro' no emprego, se acha por ter um carrinho do ano e tem uma namoradinha com a qual pretende casar e 'constituir família', mas claro que a moça tem um amante, muito mais interessante que o imbecil do 'oficial', e claro que ela é uma tremenda duma interesseira.
O conto foi escrito e publicado nos anos 70 e continua atualíssimo. Se você ainda não conhece a literatura magnífica, densa, dessa mulher maravilhosa, corra a ler tudo que encontrar dela.
Saudações canalhas e cafajetes
Durante a andança noturna relatada na postagem de 10 de agosto, tivemos outra surpresa, ainda maior e melhor que descobrir um salão de bilhar 'promíscuo' ainda funcionando tal como antes: meu amigo e colaborador-mor desta tranqueira, enquanto escalávamos a rua 13 de Maio, perguntou sobre um bar situado nesta, que frequentamos muitos nos dois anos anteriores à maldita pandemia. Bem, o referido bar, quando estabelecimentos comerciais puderam reabrir, se transformou em uma mercearia de produtos orgânicos e de cooperativas agrícolas, com uma modesta miniatura do bar, digamos assim, nos fundos, na forma de uma geladeira com cervejas especiais. Contei a meu amigo que, ao passar por lá recentemente, o dono do estabelecimento tinha planos de retomar o antro de beberagem com tudo, mas não sabia muito bem quando. Pois as forças cósmicas do bem e da bebedeira ouviram nossas preces, os deuses Comus e Baco intercederam e ao estreitar o olhar para adiante, meu amigo exclamou:
- Ei, o que é aquilo?Não são cadeiras e gente bebendo bem em frente onde era o bar 'X'????
Também apurei o olhar e confirmei: o lugar estava aberto e com movimento! Apressamos o passo e a grande revelação ocorreu: o bar, reaberto, com música, bebidas, pessoas, vida. O dono ficou muito surpreso e feliz com nossa aparição, bebemos, conversamos, rimos, travamos conversa com pessoas legais e interessantes. Foram cerca de duas horas em que o tempo regrediu e todos nós não só lembramos, mas revivemos anos anteriores, mais felizes, em que éramos mais um pouco mais jovens e o mundo não estava tão degradado.
Ilusões que duram pouco, as que experimentamos nessa recente noite de sexta-feira? Sim, mas muito necessárias e bem-vindas, afinal, o que seria do ser humano se não cultivar algumas ilusões e relembrar, entre amigos, alguns bons anos e momentos?
Saudações canalhas e cafajestes
Há pouco mais de um ano fiz uma postagem aqui na tranqueira, entitulada 'Quarteto eclético...', em que desancava uma turminha (dois casais, ou talvez não) que com periodicidade incerta baixam no meu bar favorito para aprontar das suas (a moça que é a figura principal do grupo já protagonizou outras postagens, é a tipinha que em outras noites jogou charme pra cima de mim e quando tentei algo ela deu um chega pra lá e se disse uma 'mulher casadíssima que só pode ficar com outra mulheres', sendo que o 'maridão', segundo fontes, não passa do 'corno oficial da vez'). Por peripécias como esta que ela e seus acompanhantes angariaram grande má fama entre os demais frequentadores, muitos não os suportam, sequer os cumprimentam.
Na referida postagem relato a noite em que eles chegaram aos píncaros da idiotice e sem-noção: dominaram a jukebox do bar e após uma sequência de rock já questionável quanto ao gosto, tascaram pagode e pop horrendo dos anos 90, ao que fui obrigado a agir, praticamente tomar a máquina e programar uma sequência de rock pesado tão arrasadora que eles debandaram.
Pois bem, há poucas semanas, eles retornaram como um trio: casadíssima, corno oficial e um amiguinho. E repetiram a dose: tomaram conta da máquina de música, começaram com rocks de baixo nível - new metal, grunge, essas merdas - e logo caíram no pagode e pops oitentistas péssimos... Só que dessa vez se esmeraram: deixaram umas três porcarias das mais insuportáveis programadas e sumiram na noite, antes que eu e a elite roqueira do bar pudéssemos consertar o estrago que deixaram!
Moral da história: há seres humanos que são estragados por natureza, nada - tempo, experiência, trancos morais dados por gente que não suporta mediocridade e estupidez - os melhora, serão sempre uns idiotas e que ainda se acham.
Saudações canalhas e cafajestes