
Verdade básica e suprema da vida, escrita na fachada de uma banca de jornais no Centro de São Paulo.

Verdade básica e suprema da vida, escrita na fachada de uma banca de jornais no Centro de São Paulo.
"O mundo é uma grande bola de merda. E nós somos os vermes que rastejam nela. "
Este escriba, filosofando em sua casa, embalado por uísque, após um dia que o fez perder mais um pouco da sua já infinitesimal fé na humanidade.
"Essa música é pra quem conhece!"
A vida, a experiência, me ensinaram: quando um sujeito, pessoa, que você não conhecia até poucos segundos antes, dispara essa frase, em uma casa noturna, show, boate, balada, bar, pode ter certeza: um rematado e completo babaca cruzou seu caminho, no caso, aquele tipo que tenta se enturmar à força e invariavelmente é/torna-se chato, insuportável.
Meu mais recente encontro com um exemplar dessa espécie desválida e desprezível foi na véspera do último feriado nacional, enquanto eu tentava me divertir e esquecer os horrores desse horror chamado vida atual, no meu bar favorito. O sujeito que disparou a pérola não se importou ou não entendeu minha total indiferença à frase estúpida e banal e continuou a me importurnar, a ponto de eu não chegar às vias de fato (leia-se: dar-lhe umas belas porradas) porque o dono do estabelecimento me conteve.
Cumpre registrar que mais tarde, o próprio dono se impacientou com o tipinho, que fazia merda atrás de merda na jukebox da casa e outros presentes também se incomodaram e me disseram: 'caramba, esse cara é insuportável mesmo!'.
Mas claro, tinha um passa pano, compreensivo, paciente, que disparou: 'deixa disso, não fica nervoso com o cara, ele tá bêbado' (sem comentários).
Saudações canalhas, cafajestes e fartas da maldita espécie humana.
"Torça para ter vida inteligente fora da terra, porque aqui só tem porcaria (Monthy Python , o sentido da vida)."
Mestres, gênios, cujos filmes - que fazem pensar muito, além de rir, claro! - nunca ficam datados.
E de repente, o cinquentão (levado por amigos cinquentões como ele) vai parar em uma 'novidade', uma casa noturna de rock recém-aberta nas proximidades do Centro, não muito longe de sua residência; uma casa noturna 'moderna' frequentada principalmente por jovens e modernosos. E lá o cinquentão logo se vê trocando olhares e falas maliciosas com uma moçoila mais jovem que ele (bem, para um sujeito como ele, uma mulher de trinta e poucos anos já pode ser considerada quase uma 'novinha!), paga uma bebida para ela e logo estão se atracando no balcão. Como bom canalha que não perde oportunidades, ele não dá a mínima para ela estar um pouco alterada. E mais tarde, uma amiga da moçoila pede para você 'cuidar um pouco dela, pois "misturou substâncias" e está um pouco mal. E em seguida você está sentado em uma mesinha de ferro em uma saleta semiescura, ao som de rock tosco e energético, tentando acompanhar a conversa cada vez mais desconexa de uma mulher cada vez mais alterada. E você se pega mais uma vez em uma situação que viveu muito nos vinte e poucos anos e que se repetiu nas década seguintes de sua vida, com frequência menor, claro; mas você tem a sensação, naquele momento, que o tempo não passou, que você não envelheceu e que a vida pode ser surpreendente, inesperada e deliciosa, quando menos esperamos.
Saudações canalhas e cafajestes