Noites Cafajestes à venda

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Um verdadeiro guia de comportamento e sabedoria canalhas e cafajestes por R$6,00.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Last Friday Dawn Feeling ou: Outro texto fútil e inútil

Madrugada de quinta para sexta. Este escriba está a percorrer a Rua Angústia com seus amigos canalhas de sempre; assim que se refugiam em um dos últimos bares da sempre decadente e atraente rua, que ainda  mantém o verdadeiro espírito do rock´n´roll, são brindados com este clássico meio esquecido do rock, executado por um grupo ainda mais esquecido, mas cultuado por toda nossa trupe, resgatado das catacumbas por uma benfazeja web rádio. Eis que um dos nossos sugere, bem de acordo com o clima 'hardão pesado empoeirado' dessa pequena obra-prima, uma rodada de Jack Daniels para todos. Já estávamos bastante alcoolizados, sabíamos que o mágico elixir seria a gota que faltava para uma ressaca pesada na manhã que já não tardava, mas, caros leitores, peço que ouçam atentamente o grande Jamul em ação e hão de concordar: embalados por esse som, como negar a sugestão?


Saudações canalhas e cafajestes




sábado, 15 de julho de 2017

Compêndio de cantadas infalíveis(ou quase), forjadas por acaso - II

Utilizei esta cantada quase infalível em mais de uma ocasião, e aquelas nas quais funcionou desdobraram-se em momentos inesquecíveis. Assim, preferi não descrever nenhuma das situações, dos lugares em que essas palavras foram empregadas. A própria cantada fala por si, meio exagerada, meio forçada, mas no bulício da noitada, tentando conquistar os favores de uma musa questionável, isso em nada importa, importa conseguir o que queremos!
Eis a pérola, proferida em situações em que a dama desejada inquiriu este canalha se ele se dispunha a acompanhá-la na pista de dança, em uma beberagem ou outras coisas mais:

"Seu desejo é meu destino, que abraço com todo prazer e ardor!" 

Sim, como disse uma grande amiga, sou um tremendo 'conversinha'!!!

Saudações canalhas e cafajestes

 

sábado, 8 de julho de 2017

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Texto fútil, curto, mas não tão inútil(quem sabe)

Há pouco mais de um mês, eu e um dos companheiros de cafajestagens principais, dos mais frequentes colaboradores desta tranqueira, estávamos em nosso bar favorito na rua Angústia. Eis que reparamos em um entra e sai de belas e curvilíneas mocinhas na flor da idade, meio em polvorosa, agitadas, aos burburinhos, indo e voltando do 'toalete' do boteco e eis que pouco mais tarde surgem na porta do bar dois tipos muito, mas muito inferiores a elas em aparência e modos, dois autênticos molambos da 'perifa', os quais foram recebidos pelas lindas fadas noturnas com um misto de alegria e ansiedade e conduzidos aos fundos do estabelecimento com toda pressa. Este escriba e seu amigo, vividos notívagos, sacamos de imediato o que se passava e ele, sagaz como sempre, saiu-se com essa perfeita definição  para essa cena, meio patética, meio deprimente, presenciada por nós desde nossas primeiras incursões boêmias, já há décadas, cena que se repete desde sempre na noite de São Paulo e na noite de sabe-se lá quantas outras metrópoles mais deste mundo idiota:
'dope show' : quando meninas gostosinhas estão às voltas com uns escrotos para descolar drogas.

Sem mais

terça-feira, 20 de junho de 2017

Reflexão amarga


Sou um grande apreciador da obra de Joseph Campbell, conhecido pelos leigos, semidesinformados e curiosos em geral sem paciência para leituras exigentes, que se esbaldam com a superficialidade da 'infernet', por ter forjado ou no mínimo tornado mais fácil o conceito da jornada do herói, tão diluído internet em português afora em um sem-fim de sites de escritores iniciantes que por terem escrito um ou dois livros se metem a querer ensinar os segredos da escrita a outros escritores iniciantes. E assim vai a  juventude educada pela internet.
Bem, não sou desses, conheço a obra desse mestre há mais de duas décadas, li vários de seus livros, de cabo a rabo, e o último a ser degustado, lentamente, algumas poucas páginas por manhã (confesso: muitas vezes, já era quase tarde), logo após acordar, enquanto me entupia de cafeína para curar as ressacas brabas de sempre e, evitando a luz do sol a entrar pela janela, repassava os artigos, revisões e trabalhos que gritavam por minha atenção, foi o da capa acima, uma coletânea de textos, ensaios e palestras que ele fez/elaborou durante décadas, sempre versando sobre as divindades femininas e sua importância para as mitologias do mundo e o universo mental e cultural da humanidade. Obra maravilhosa, obrigatória de ler e que me suscitou vários pensamentos e reflexões, pois Campbell, genial e visionário como só ele, aqui e ali em alguns trechos, sem ter previsto ou planejado - os textos datam de um período que abrange de 1972 a 1986 - desfere golpes de morte na boçalidade típica do discurso simplista, radicalzinho e vazio dos radicais que tomaram de assalto movimentos progressistas e 'justiceiros sociais' (feminazis, 'lacradore(a)s', lgbts histéricos, etc, etc, etc), com suas observações muitíssimo lúcidas sobre as relações entre os sexos, os arquétipos que regem essas relações e outras coisas mais interessantíssimas. 
Esses apontamentos ficaram reverberando na pobre cabeça danificada deste escriba por semanas, vezes sem conta eu abria o livro, a qualquer hora, sem motivo definido algum, em busca de alguma dose dessa sabedoria. E eis que,  em uma dessa sessões em que eu bancava o pensador, xícara de café na mão, veio o pensamento que é o verdadeiro tema desta postagem:
Sou parte de uma geração de homens dito 'esclarecidos', aos quais foi ensinado que as mulheres deveriam ser exaltadas, elevadas e até mesmo deificadas, que as mulheres seriam deusas que agraciaram nós homens com sua presença e favores. Certo, nós acreditamos nisso por algum tempo( breve ou longo, depende de um sem-número de fatores, os mais importantes fáceis de serem enumerados pelo leitor sábio) e quando eu e os outros infelizes(muitos milhões, eu temo) que caíram nessa conversa perceberam o tamanho desse papo furado o estrago já estava feito, foi muito grande e até hoje ainda sofremos as consequências de refazer nossos conceitos e relações  sobre e com as mulheres pós essa hecatombe nuclear.  Pois  foi isso que essa leitura me mostrou, ou melhor, pôs em palavras claras e acabadas uma sensação amarga que persegue a nós homens que acreditamos nisso por algum tempo, um mal-estar que nos fustiga há muito: acreditávamos que as mulheres eram deusas e quando descobrimos que elas eram meros seres humanos, como nós, a rebordosa(ressaca da braba causada pelo consumo de 'coisas' pesadas, para os preguiçosos em procurar) foi e ainda é muito intensa. E a leitura desse grande livro também deu contornos claros a outra força, outra a ação que é oposta a esse mal-estar e nos impele a buscar, experimentar  e tentar conhecer todas as expressões do infinito que é  a condição feminina, a saber, o idealismo de crer que algumas mulheres podem sim ser divindades em nossa existência, podem estar muito além e acima da mera, baixa, mesquinha e desprezível humanidade e que um dia encontraremos uma delas por aí, para nos conceder alguns lampejos de sua radiância a nós pobres homens, o que já seria mais que suficiente.

Saudações canalhas e cafajestes      

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Descobertas feitas em mesas de bar e registradas em guardanapos - LXXIII

"Nossa Gaia está aqui no centro."

Frase perfeita, lapidar, fulminante, desferida por um grande amigo, colaborador frequente do blog, parceiro de várias noitadas e cafajestadas noturnas, e morador do Centro da cidade, como este escriba.
Evito repetir  postagens dessa série ou postar dois textos semelhantes em demasia quanto a conteúdo ou forma, mas este é tão preciso, direto e cortante, sua metáfora tão simples e poderosa em definir o a importância do  coração da cidade a nós, que tive de fazê-lo, as forças de Gaia assim ordenaram.        

domingo, 4 de junho de 2017

Descobertas feitas em mesas de bar e registradas em guardanapos - LXXII

"O ódio que ex-marido devota a sua ex- é para sempre. E além."

Um contraponto masculino, canalha e cafajeste que faz frente à mais que manjada frase 'ex-mulher é para sempre." Sim, caras e queridas mulheres, muitas são capazes de infernizar eras afora o infeliz que teve a audácia de deixá-la. Mas não subestimem o mesmo tanto de raiva e fúria que um homem que teve sua vida arrasada por uma ex- rancorosa é capaz de impingir, como vingança! Se vocês são deusas, somos seres das trevas mais densas e macabras!!!

Saudações canalhas e cafajestes

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Para não dizerem que deixei de atacar as feminazis

Segue pensata do imortal Gabriel Garcia Marquez, sobre as feministas radicais. Certamente o termo 'feminazi' não existia quando esse mestre formulou essa afirmação, mas ela se aplica à perfeição a essas criaturas abomináveis:

"Há feministas, por exemplo, que o que desejam realmente é ser homens, o que as define de uma vez como machistas frustradas. Outras reafirmam a sua condição de mulher com uma conduta que é mais machista que a de qualquer homem."

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Texto curto, fútil e inútil

Irritar outro homem, por meio de gracejos quaisquer aparentemente inocentes dirigidos a sua ficante, ex, ou à mulher por ele desejada, ato cafajeste que ele não pode impedir, por força das circunstâncias, é um dos prazeres masculinos que desfrutamos noites afora.

E como habitual: não peçam explicações!

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Compêndio de cantadas infalíveis(ou quase), forjadas por acaso - I

Não, caros leitores, este escriba não aderiu à modinha babaca de bancar o conselheiro sabichão para infelizes que não se dão bem com a mulherada e oferecer, em troca de audiência em sua página, canal de youtube ou merdas do tipo, dicas 'perfeitas' que transformarão um imbecil de carteirinha em um conquistador irresistível. Inclusive e principalmente porque qualquer ser humano com um pouco de rodagem no elemento de nossa existência que atende pelo termo 'relacionamentos amorosos' está convencido que absolutamente não existem frases, fórmulas, atitudes e truques acabados, eficientes com e para qualquer tipo de pessoa. Sabemos(ou deveríamos saber) que nossos folguedos amorosos e sexuais são por vezes tramados ao comando do acaso, da pura química, do desejo puro e simples(e como deveria ser assim com mais frequência!!) e que palavras estudadas  podem por tudo a perder. 
E sim, comecei mais uma série dentro desta tranqueira. Que esta tenha vida mais longa que as demais que iniciei e larguei no limbo da internet.
Por que então essa postagem? Porque essas frases, como já dito acima, nascidas do puro acaso, são espirituosas, afiadas e por vezes, este sujeito, como cafajeste barato que é, as empregou em outras situações e com outras musas questionáveis e, por incrível que pareça, em algumas dessas ocasiões funcionaram muito bem! Por isso, merecem ser registradas, simples.
À primeira das cantadas quase infalíveis surgidas para uso em uma única noite, então.

Estava esse canalha no dito 'fumódromo' de um lendário ponto roqueiro do Centro de São Paulo, infelizmente fechado há anos e que deixou uma leva de desconsolados e saudosos a vagar por outros pontos, ainda mais sujos e decadentes. Bem, este canalha, nessa noite, teve sua atenção dirigida a uma bela loira de voz rouca e jeito atrevido. Trocamos olhares, dividimos um cigarro e logo entabulamos uma animada conversa. A moça, em questão de minutos, narrou os então últimos tempos de sua vida, com ênfase em um recém-terminado relacionamento com um sujeito que a espancava com regularidade. Detalhou as coisas mínimas que desencadeavam a ira do sicofanta, suas tentativas de fugir da situação e como ela estava vivendo e encarando os homens desde então. Tudo isso aproximando-se de mim a cada minuto. Eis que, inspirado pelas musas da lascívia e dos belos discursos, surgiu em minha limitada cabeça uma fala completa, acabada e lapidar, que brotou como se trazida por Dionísio, Baco, Comus e todas as divindades antigas fomentadoras e protetoras do hedonismo: 
'Meu anjo, um cara que bate em uma mulher como você não merece ser homem, não merece fazer parte da condição masculina!'
O resto aconteceu imediata e naturalmente.
O leitor se pergunta se pode adaptar, alterar e usar essa fala para lá de xaqueveira durante suas abordagens e conversas com as belas fêmeas que tornam nossa vida mais bela? Desnecessário dizer que estimulo e apreciaria isso.

Saudações canalhas e cafajestes         

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Descobertas feitas em mesas de bar e registradas em guardanapos - LXXI

"Só quero ser chata e irritante, como todas mulheres."

O que dizer ou comentar sobre essa frase?

Saudações canalhas e emudecidas

sexta-feira, 28 de abril de 2017

As agruras(e a raiva) nunca têm fim

Os leitores mais assíduos (se existem) devem se lembrar de um amigo deste escriba, divorciado e pai de dois filhos, que passa poucas e boas por tentar equilibrar sua desgraçada vida amorosa com o máximo de atenção possível aos rebentos, tarefa hercúlea de per si, temos de admitir, e tornada deveras difícil pela incompreensão das mulheres: além dos ciúmes infindáveis das suas namoradas(não, ele não se relaciona com mais de uma mulher simultaneamente, o substantivo está no plural porque é uma sucessão de mulheres, todos os relacionamentos dele duram pouco porque o mulherio, salvo escassíssimas exceções, não suporta sequer por pouco tempo um homem com filhos que ousa priorizá-los em sua vida), tem de lidar com o ódio, mesquinhez e criancice de sua queridíssima ex-esposa, que lhe prometeu azucrinação eterna por ter cometido o crime lesa-desejo- feminino-de-mandar-em-um-trouxa de simplesmente deixá-la para ser livre...
As postagens sobre as desditas que esse rapaz enfrenta estão espalhadas por esta tranqueira, é fácil identificá-las.
Pois bem, neste último feriado a criança birrenta, mimada e histérica que é a mãe de seus filhos aprontou a última a levá-lo a espumar de raiva. Acompanhem essa pequena saga de dor de cotovelo feminina:
Sem consultá-lo, ela arrumou uma viagem durante o feriado, para o litoral, com uma amiga de infância, uma perua insuportável metida a  ricaça do Guarujá, cujas duas filhas tapadas caminham a largas passadas para ficarem tão idiotas como a mãe. Sua ex anunciou que iria viajar com essa trupe, sem consultar os planos dele para o feriado, se pretendia dedicar um dia ou dois aos filhos(o que ele tinha programado com antecedência, aliás), certa de que ele não o faria, óbvio que ficaria atracado com sua atual 'vagabunda' durante o fim de semana prolongado e esqueceria da prole, o crápula horrendo.
Frustrado e emputecido, acionava o telefone celular da imbecil pelo menos duas vezes ao dia, para ao menos trocar palavras amorosas com os filhos. Na maioria da vezes, ela demorava quase um minuto para atender o aparelho e colocá-lo nas mãos das crianças, para irritação dele, que mal imaginava o que estava por vir.
O feriado se desenrola, a noite de domingo cai sobre a cidade e ele retorna para seu refúgio particular de homem solteiro. Mal chega e corre a telefonar para a casa dos filhos, saber as últimas, se chegaram bem, etc, etc. Segue transcrição dos quarenta minutos seguintes:
20h 30  
Telefone residencial:ocupado
Celular da adorável ex: não atende
Celular do filho mais velho: em caixa postal
20h 40            
Telefone residencial:ocupado
Celular da adorável ex: não atende
Celular do filho mais velho: em caixa postal
20h 50
Telefone residencial:ocupado
Celular da adorável ex: não atende
Celular do filho mais velho: em caixa postal
21h 00
Telefone residencial:ocupado
Celular da adorável ex: não atende
Celular do filho mais velho: em caixa postal
21h 05
Telefone residencial:ocupado
Celular da adorável ex: não atende
Celular do filho mais velho: em caixa postal
21h 10
Telefone residencial:ocupado
Celular da adorável ex: não atende
Celular do filho mais velho: em caixa postal
21h 11
Telefone residencial:ocupado
Celular da adorável ex: não atende
Celular do filho mais velho: em caixa postal

21:15 h - nervoso, alterado e preocupado, porém com a consciência fustigada por uma possibilidade, telefona para sua mãe e pede que esta tente telefonar para a ex-nora, desconfiado que esta simplesmente não atende a suas ligações, por puro ressentimento. Bingo! Sua mãe conta que  seus filhos e sua adorável ex-esposinha já estão no conforto e segurança do lar desde o começo da tarde, pois a neta lhe telefonou há pouco para contar como fora a viagem. Após rugir uma saraivada de xingamentos, anátemas, pragas e maldições dirigidas à infeliz que o impossibilitou de conversar com os filhos, ele ainda se vê obrigado a prometer a sua mãe, bastante sensata, que não irá disparar esses impropérios na cara da criatura, pois esta certamente usaria isso como forma de manipular os filhos contra ele. 
Desconsolado, enfurecido, cansado desse inferno que é a vida adulta, ele suspira, faz a promessa a sua mãe, desliga o telefone e vai fazer o mais sensato: encher a cara.
Caros leitores, que tal uma criatura desse tipo? Impossibilitar o ex de falar com os filhos ao final de um feriado, sendo que durante se falaram mais ou menos normalmente. Criticar tal tipo de mulher, nesses insuportáveis tempos politicamente corretos, é misoginia, machismo, etc, etc? Se é, não lamento nem um pouco: esse tipo de vaca, de vadia, de infeliz, merece todas as ofensas e mais um pouco, merece ter sua infantilidade exposta e humilhada a todos os ventos, merece ressecar de solidão e desespero,sem um único imbecil a suportá-la, enquanto o crápula do ex 'vive na gandaia  e esquece dos filhos'.  

Saudações canalhas e revoltadas

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Boêmios à força, pobrezinhos...






Este escriba revirava sua modesta biblioteca, à procura de um tomo com referências e informações para mais uma das emocionantes e intelectualmente desafiadoras matérias jornalísticas que ele encara com intrépido ânimo, quando, antes de encontrar o referido volume perdido entre camadas de poeira, topou com um livro que lera há anos e que lhe despertou algum interesse indefinível e penetrante, assim, retirei este outro livro da estante, deixei-o de lado, para investigá-lo mais tarde.                                                                                                             
Apenas alguns dias depois lembrei de folhear as páginas do referido volume, nada menos que O invisível cavalo voador, uma coletânea de crônicas do falecido Lourenço Diaféria, um dos meus cronistas favoritos, aliás.  O texto e as ilustrações internas, deliciosos, me evocavam diversas lembranças e devaneios, enquanto lia trechos ao acaso, até que alcancei as últimas páginas e topei com uma crônica intitulada ‘cigarra’, que por meio de uma historinha protagonizada por uma típica representante da medíocre classe média paulistana dos anos 80,(acreditem, caros leitores, a classe média brasileira dessa década era menos inculta, grosseira e boçal que a atual, ou talvez  esse pobre escrivinhador tenha sido dominado pela mentalidade ‘antigamente tudo era melhor’ – vade retro, te esconjuro três vezes, nostalgia barata!!Argh!!!), retrata um comportamento, mais que um tipo humano, que teria vicejado na São Paulo oitentista: os homens ( e mais raramente mulheres) casados que deixados sozinhos na metrópole por seus consortes e filhos, que saíam em viagem de férias, viagem da qual o pobre coitado não podia participar, na maioria das vezes, por motivos profissionais,  seriam como cigarras perdidas, pequenos animais (almas?) à solta, sem lastro emocional ou orientação, que zumbindo para lá e para cá( se o termo já tinha essa acepção antes, não consegui confirmar), terminavam por se entregar à vida boêmia, durante os dias(noites) em que se viam privados da maravilha que é a vida familiar... Consta que houve vários bares e casas noturnas da cidade que seriam especializadas em receber esses pobres notívagos solteirões por contingência e não por convicção, os quais, alguns relutantemente, outros com alegria, acabariam por viver aventuras amoroso-sexuais com outras almas perdidas na metrópole hostil. Aventuras porém de curta duração, pois todos e todas cigarras estavam nessa condição por força das circunstâncias, todos  seriam exemplarmente convictos da santidade do lar, do casamento e da família, segundo rezam os relatos da época. Não é de comover o romantismo, o idealismo, a candidez e a bunda-molice dessa figura, caros leitores? 
Pois bem, o grande Diaféria criou, com seu  talento, um texto em que uma mulher vê-se no papel de cigarra solta na cidade, visto que marido e filhos se mandaram em férias, e começa a devanear com um encontro noturno com um sedutor desconhecido em uma boate de classe. Eis que toca a campainha de sua casa e ela recebe a visita mais que inesperada de...(não contarei o desfecho, claro, procurem o livro em algum sebo e se engrandeçam conhecendo a genialidade desse escritor).

E o que esse texto me provocou? Pensamentos molengas e langorosos, a lamentar secretamente, no recôndito do lar, minha opção pela solteirice? Nostalgia por algo que não experimentei, sentimento que inclusive é uma praga a assolar esta época? Arrependimentos, lembrando alguma linda musa questionável do passado, a qual me deixou ao descobrir minha repelência incurável a matrimônio, monogamia, etc, etc?
Não, caros leitores, relembrar esse sentido para a palavra ‘cigarra’, sentido aparentemente em desuso, fez-me rir e muito, pois meus amigos casados ou descasados sempre aguardam/ aguardavam ansiosamente as férias e feriados prolongados durante os quais suas rádio-patroas e proles os deixam/deixavam em paz para muitíssimo bem-vindos dias de gandaia e esbórnia. Para eles e para mim, saber que existiram (e certamente ainda existem) homens que se entregam à boêmia e à putaria sem convicção, desejosos do retorno de suas famílias, ansiosos para retornar à vida familiar, e que tratam a vida noturna como um intervalo meio à força de sua ‘vida real’, é motivo para muitas e muitas gargalhadas numa mesa de um de nossos bares  favoritos.
Serei eu muito zombeteiro, algo cínico e até cruel, ou talvez ando apenas com gente de minha laia e isso limita minha visão de mundo?
Saudações canalhas e cafajestes            

terça-feira, 11 de abril de 2017

Descobertas feitas em mesas de bar e registradas em guardanapos - LXX

"O cara foi na minha casa e não comeu o que devia ter comido!"

Desabafo de uma amiga, muito frustrada com o desfecho de um flerte que se estendeu por meses: admiradora cada vez menos secreta de um rapaz que frequentava um dos porões que frequentamos, ela partiu para o ataque quando o dito mancebo terminou um relacionamento de anos com uma linda mulher - tão bela que minha amiga dizia: 'se ele quiser,  faço um ménage com os dois, pois ela também é uma delícia!' - aproximou-se do rapaz, passaram a trocar mensagens e se comunicar quase diariamente, logo protagonizaram juntos beberagens, até que veio o que ela imaginou seria a grande noite, a consumação: convidou-o para jantar em sua casa e ele aceitou, aparentando grande animação.
Cardápio escolhido a dedo, com sugestão de amiga mais vivida que ela nessa coisa de receber homens, pratos preparados com todo esmero, casa caprichada na decoração e limpeza, perfume especial, lingerie perfeita para a ocasião - descreveu para mim como seria a roupa de baixo que usaria na aguardadíssima noite e pediu minha opinião, he he he -  e o rapaz chega, carregando uma garrafa de uma bebida de primeira, de muito bom gosto. 
Jantar transcorre sem nenhuma gafe ou incidente, conversa flui alegre e deliciosa, lubrificada pela ótima bebida, olhares e insinuações, até que...
O sujeito anuncia que tem de ir embora, levanta-se, despede-se com um longo abraço, um estalado beijo no rosto de minha amiga e desaparece porta do elevador e noite afora!!!!

Sem mais,

Saudações canalhas e cafajestes     

terça-feira, 4 de abril de 2017

A boa e velha sagacidade(leia-se: canalhice) masculina

O colaborador-mor desta tranqueira, conforme algumas postagens que já datam de um ano, vaticinou que uma certa musa frequentadora dos mesmos ambientes em que pontuamos, muitíssimo questionável e a qual sempre olhei com aberta desconfiança(a 'moçoila' exala sensação de encrenca, de treta da grossa), o poria em uma belíssima confusão. Eis que o grande Comus sem manifestou, o quase esquecido mas poderoso deus  que rege a cafajestagem, a lascívia e os festins regados a álcool, e sempre forja desditas e problemas para os mortais na mesma proporção que lhes concede todos os prazeres que a noite e suas festividades pode oferecer; bem essa antiga deidade ouviu os temores de meu amigo e resolveu brincar um pouco com o pobre mortal.
Não darei detalhes (revoltantes e também previsíveis) dos problemas conjugais que ele enfrentou, uma vez que a musa questionável descobriu ser amiga de baladas de ninguém menos que a consorte de meu amigo... Claro, ela tratou de dar o serviço, ainda por cima posando de mulher decente que não sabia estar 'dando um pegas' no marido de uma amiga e sentindo-se 'muito culpada por isso' (Ah, a hipocrisia, comandante absoluta da espécie humana!).
Meu amigo foi obrigado a uma pausa forçada e estratégica da vida noturna, apelar para toda sua lábia a fim de convencer que a 'revelação' feita pela escrota criatura não passava de típica intriga plantada por uma falsa amiga. Foram meses tensos, em que pouco incursionamos juntos na noite, ambos sempre praguejando contra a criatura, que ainda por cima, desprovida de qualquer bom senso, do menor 'semancol', me cumprimentou certa ocasião! Dei-lhe a resposta merecida e lamento não ter sido mais assertivo(leia-se: grosseiro).
Ele ficou por um bom tempo especulando  uma maneira de virar o jogo, de provar a sua consorte que a amiga escrota era exatamente isso, uma escrota. E a oportunidade veio.
Um belo dia, meu amigo estava espiando as últimas fotos que sua consorte postara em rede social, feitas na balada favorita dela, a qual me recuso a comentar ou nomear.
Pois bem, fuçando as fotos da balada, ele encontrou fotos da amiga escrota, trocando beijos ardentes com outra mulher! Sua mente diabólica pôs-se a trabalhar com a rapidez que só a mente de um canalha pode trabalhar e formulou o plano. Chamou a consorte e mostrou as fotos. Sua esposa ficou espantadíssima, disse que nunca tive visto a amiga sequer trocar olhares com uma mulher, etc. Essa era a fala que ele esperava para desferir o ataque: 
 -Pois é meu amor, veja como essa sujeita é safada. Vendo essa foto me ocorreu: será que ela não inventou essa história toda de ter ficado comigo para nos afastar e assim VOCÊ ficar livre e desimpedida para ela dar o bote?
Segundo meu amigo, o ar de dúvida, de 'nossa, pode ser! Nunca pensei nisso!' que se estampou no rosto de sua cônjuge mostra que ele achou o caminho que deverá percorrer e pavimentar para  superar de uma vez por todas a prova que o deus noturno pôs  em seu caminho.
É ou não é um belo exemplo da capacidade masculina de mentir e engambelar? (Sempre afirmei que as mulheres são superiores aos homens em muitos atributos, inclusive o de trapacear, de enrolar, mentir. No entanto, nós homens, ainda que menos versados nessa arte conseguimos nos sair bem nela, por vezes o suficiente para enganar as próprias mulheres).
Saudações canalhas e cafajestes

terça-feira, 28 de março de 2017

Um certo prazer noturno Ou: mais um texto fútil e inútil



Não caros leitores, o título desta postagem não é uma menção ao prazer sensorial sempre associado à vida noturna, à boêmia, às noitadas, inclusive porque o culto e prática desse prazer físico não precisa e não tem horário. Essa postagem é uma  pequena celebração a outro prazer que nós pobres humanos encontramos na noite: o prazer de pertencer a uma comunidade, por menor e menos importante que esta seja; o desfrute de ser um membro pleno e respeitado dela; a alegria e importância de receber atenção dos demais membros desse grupo, a disposição autêntica de ouvirem o que você tem a dizer e quererem ser ouvidos por você; o deleite, nas horas tão fugazes e deleitosas de uma noite passada em claro, pelas ruas e bares do Centro, de viver uma rápida utopia de uma vida social sem amarras ou falsidades, de abandonar as abjetas máscaras sociais do dia e sermos o que somos.

Saudações canalhas e cafajestes  

segunda-feira, 20 de março de 2017

Viva a família tradicional brasileira (SQN!)

Há umas poucas semanas, tive de mergulhar em várias páginas na maldita 'infernet' - como uma grande amiga chama a rede de computadores - para preparar uma matéria sobre o analfabetismo político que campeia sem peias (desculpem a rima medíocre, não resisti!) no mundo virtual em língua portuguesa. Nesse mergulho no lodaçal de ignorância, fanatismo e burrice em que o brasileiro médio se lambuza, topei com 'textos' e ideias inacreditáveis, uma verdadeira deep web visível à luz do dia sem pudores, e que fez minha já muitíssimo combalida fé na espécie humana definhar mais um pouco. Já com os nervos em frangalhos, encontrei uma página, a qual obviamente não nomearei, em que a seção dos comentários era impressionante: qualquer mínima postagem gerava um debate, entre os frequentadores da pocilga, que não raro atingia os mil comentários, vários bastante extensos. Como fui obrigado a colher uma amostra desses para a confecção da matéria, tive de ler vários. Surpreendi-me: entre tanto ódio, palavras de ordem insanas e quetais, estavam soterradas críticas inteligentes e ponderadas, sarcasmo e ceticismo saudável para com todas as ideias prontas. Pois bem, caros leitores, no meio de tanta idiotice, encontrei o relato abaixo, que reproduzo sem modificar uma vírgula que seja. É uma história rica de possibilidades, a partir de um trecho qualquer dela seria possível criar uma pequena saga tragicômica para atacar uma das maiores causas da tragédia nacional, a família tradicional cristã monogâmica, que os leitores devem se lembrar, ataquei e ataco sem tréguas.
Assim, posto a narrativa pelo cômico e ridículo a que ela expõe os protagonistas(não senti a mínima pena dos imbecis, espero que vocês também não se compadeçam deles) e como um oferecimento a algum leitor que tenha veleidades literárias, como uma inspiração, um  material bruto a ser lapidado em uma história que contribua para a missão de acabar com a hipocrisia e falsos valores morais que o brasileiro médio tanto prega.
Saudações canalhas e cafajestes

A História, portanto:

Em 2014 estive numa festa.
Era a celebração da “quaresma”, quarenta dias de vida, de um recém-nascido.
Filho de um jovem casal de evangélicos, na faixa dos 30 anos.
A mãe é dona de uma escola de reforço, filha de médico, com vida confortável.
O pai veio da periferia, e ganha a vida com pregação religiosa. Fundou uma igreja, virou pastor e foi lá que conheceu a mãe da criança.
O casal tentava engravidar fazia algum tempo, mas parece que o pastor era infértil.
Então ele fez tratamento e ela engravidou.
“Um milagre”, diziam eles.
E pra celebrar a chegada desse milagre, fizeram uma festa do arromba na mansão da família.
Não importa se a criança tinha apenas 40 dias de vida, se ela mal abria os olhos, ou se não parava de chorar por causa da música nas alturas.
O importante era mostrar para todos o sucesso deles.
E justiça seja feita, o casal ia muito bem.
A escola de reforço estava com mais de uma centena de alunos.
Contratava cada vez mais professoras pra dar conta da fila de espera.
A igreja do pastor não ficava para trás.
Agregava cada vez mais fieis, inclusive algumas figuras proeminentes da sociedade local.
Na hora do jantar, o pastor serve-se do microfone e começa a falar:
“Hoje em dia, o brasileiro abandona as suas crianças!”
“Os pais largam os filhos o dia inteiro na creche, pois não querem ter a responsabilidade de cuidar deles!”
“Mas o nosso filho, esse nós não vamos abandonar!”
“Ele foi um milagre, uma bênção de Deus!”
Eu já não aguentava mais aquela ladainha de doutrinação, de como eles eram bons e os outros não.
Estava ali só por causa da namorada, que tinha sido convidada.
Hoje ela veio me atualizar sobre o casal bem sucedido.
Em 2016 as coisas começaram a ficar muito ruins pra escola.
Quase todos os pais tirando seus filhos do reforço.
Tiveram de demitir todas as professoras, com exceção de uma.
A dona do reforço teve que arregaçar as mangas, e agora tá dando aula também.
O dízimo da igreja do pastor também definhou. E agora tá com um trabalho “de verdade”.
Mas no caso dela tinha um agravante. Seu pai, que era médico e sustentava a mansão, engravidou uma prostituta, separou-se da mulher e se picou da casa, deixando as contas pra eles pagarem. Dizem que o IPTU da mansão é um absurdo de caro.
Daí que parece que o casal não aguentou a primeira crise financeira.
Resultado? Separaram-se. E hoje a criança tão querida tá sendo cuidada quase exclusivamente pela avó e pela tia, porque os pais passam o dia trabalhando.
E como minha namorada ficou sabendo disso?
Ela perguntou pra uma amiga da família, depois de ver uma foto da mãe da criança no Facebook.
Estava de caipirinha na mão, com uma amiga conhecida por ser da rasgação.
Num show do Wesley Safadão.
  

sábado, 11 de março de 2017

Descobertas feitas em mesas de bar e registradas em guardanapos - LXIX

"Minha filha, ao entrar na adolescência com tudo, tornou-se mais uma mulher de verdade na minha vida: extremamente interessante e ao mesmo tempo de enlouquecer!"

Do colaborador mor desta tranqueira, o mesmo citado e que protagonizou a postagem anterior desta série interna do blog.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Ode às ruivas

Estava este escriba com uma grande amiga, já citada várias vezes, que tornou-se recentemente colaboradora involuntária desta tranqueira, é um ex-caso e hoje (sempre, aliás) confidente, bebendo e conversando em um boteco qualquer do Centro. Relembrávamos parte de nossas aventuras noturnas vividas em dupla ou em grupo, nosso relacionamento que não acabou, mas transformou-se, e em dado momento comentei que tinha uma certa saudade das madeixas da moça quando a conheci, época em que ostentava uma longa cabeleira ruiva que enlouqueceu hordas de pessoas de todos os sexos que frequentam a noite paulistana (hoje seu cabelo é muito diferente). A moça riu, me chamou de bobo, não sem alguma razão e observou, com a típica sagacidade feminina, que talvez fosse por isso que cometi uma bobagem recente - de mínimas ou nenhuma consequência, cumpre notar:  ter sugerido  à moça com a qual atualmente tenho encontros noturnos e outros nem tanto que ela voltasse a ser ruiva, pois ela me mostrou fotos de alguns anos antes, em que ela também exibia uma cabeleira flamejante de elevar ao máximo os mais baixos instintos do mais frouxo dos machos. Descambamos para um debate sobre as graças, mistérios, delícias e possíveis qualidades das ruivas em relação às outras mulheres e não deixei de anotar em um guardanapo o tema, para transformar a anotação tosca em uma postagem, pois ainda que a supremacia de tudo que o gênero feminino possui de maravilhoso, belo, sedutor, inebriante, etc, etc, etc, caiba, inconteste, às loiras, como já afirmei em postagem de tempos atrás, as ruivas ocupam um honrosíssimo segundo lugar, perdem somente para as platinadas em termos de beleza, sensualidade, etc. 
Assim, esta postagem, muito movida e influenciada por líquidos alcoólicos, é uma singela homenagem a um tipo de mulher que, em certos momentos de nossa vida escrota e desprezível de homens que somos, reinam absolutas, mesmo que um reinado fugaz.
Seguem imagens de lindas mulheres do gênero (acreditem, selecionar algumas poucas imagens, dentre o turbilhão que saltou de uma simples teclada,foi difícil ao extremo!).

Saudações noturnas, cafajestes e bêbadas





sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Descobertas feitas em mesas de bar e registradas em guardanapos - LXVIII

"Uma filha rebelde é um grande teste na vida de um boêmio."

Brilhante observação disparada por uma grande amiga (ex-caso, ex-ficante, ex-outras coisas mais, claro!), que protagonizou postagens de anos pretéritos desta tranqueira, após ouvir os inescapáveis problemas e conflitos relatados em uma mesa de bar (óbvio), por um grande amigo nosso, que está às voltas com a filha recém-entrada na adolescência, amigo não por acaso o colaborador-mor do blog(sim, vários dos citados e protagonistas das postagens se conhecem, fazem parte do mesmo círculo, ainda não tinham percebido, caros leitores?).
O importante é que a frase para lá de sábia e espirituosa de nossa amiga é plena de sentidos e nuances a serem descobertos, é um repositório de sabedoria noturna a ser desbravado.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Texto fútil e inútil

Devido às contingências, correrias diárias, um tanto de preguiça e as outras pragas típicas que assolam o desprezível ser humano(?) moderno, fiquei mais de um ano sem falar com um amigo de quase duas décadas, que já estrelou várias postagens nesta tranqueira, principalmente entre os anos de 2010 e 2013, período áureo de nossas cafajestagens noturnas (ele é o sujeito que mais de uma vez afirmei, em textos vários aqui no Noites, ser 'o maior canalha e cafajeste que já conheci'). Pois bem,  resolvi ligar para o pilantra, saber se estava vivo, como andava, etc. Após a surpresa e a alegria mútuas, risadas várias, um colocou o outro a par do seu status quo atual. E nada demorou para ele fazer um relato que mostra: continua o mesmo grande sem-vergonha de sempre, o tempo não o amoleceu, por graças de Baco!
Ao relato: tenho um outro antigo companheiro de noitadas, o qual apresentei ao canalha-mor acima citado. Os dois se entenderam bem, travaram amizade e passaram a continuamente partir para noitadas em busca daquilo que nós boêmios canalhas buscamos na noite, acima de tudo. E a razão pela qual me afastei um tanto deles reside nessas peregrinações noturnas (calma, não se apavorem, nem sejam tomados de apreensão ou desilusão; AlexB não tretou com eles, muito menos sossegou, não se recolheu ao lar, menos ainda deixou-se capturar pelos seres abissais horrendos que atendem pelos nomes 'monogamia' ou 'casamento, jamais!!!!). A razão é simples, besta até: acontece que meu grande amigo canalha-mor é, em suas próprias palavras, 'um prostituído total; balada, festa, show, evento, o que for, onde tem mulher eu vou, não importa o gênero musical. Pode ser pagode, sertanejo, até terreiro de ponto de macumba, tem mulher eu vou!". Bela atitude, admirável mesmo. Mas este escriba não é tão destemido, nem de longe. Como os leitores mais antigos e fiéis já devem ter notado, sou um roqueiro convicto, desses que jamais entram em um antro em que toca gêneros musicais que não suporto ou não respeito(não ouço e aprecio apenas rock, cumpre anotar). Bem, o segundo amigo citado neste texto é, ou ao menos era assim... o canalha-mor realizou a façanha de fazer um roqueiro que era figura carimbada nos principais bares e casas de shows de rock de São Paulo comparecer, algumas vezes à...principal casa noturna de sertanojo da cidade!!!!! O objetivo, o alvo, a razão? Mulheres, claro. O canalha-mor, há tempos atrás, não se cansava de nos convidar a essa jornada épica, que valeria muito a pena, que tínhamos de jogar nossos princípios e gosto musical no espaço sideral, sermos 'prostitutos da balada', como ele dizia, na sua verve impagável. Bem, nunca me dobrei aos argumentos dele, sempre fui e sou o tipo de cara que escolhe a noitada  pelo tipo de música e pela possível quantidade de seres do sexo feminino presentes, e ambos fatores possuem a mesmíssima importância, idêntico peso, ao decidir em que buraco me enfiarei noite afora. O amigo em comum, meu e do canalha-mor, resolveu ceder e qual o resultado?
Segundo o nosso mestre dos canalhas, nosso amigo simplesmente travou, naquele ambiente repleto de um mulherio resplandecente e variado: não conseguiu abordar moça alguma, paralisado pelo sertanojo que entupia o ambiente decorado de acordo o gênero musical reinante. E então, ao final do seu relato sobre a malfadada noite, ele solta a comparação brilhante, a razão desta postagem, escrita para registrar essa pequena pérola: 
"Caramba, o X(coloque o nome que quiser no lugar da letra) já pegou mulher bonita pra caramba em lugares que eram uma dificuldade para pegar qualquer uma, baladas que eram como rio de águas turvas em dia nublado: nenhum peixe à vista, nada parecia morder a isca, e ele ia lá e conseguia. Quando vamos a um lugar que é igual àqueles relatos  de pescador sobre rio que tem tanto peixe que eles começam a pular espontaneamente no barco, enlouquecidos, o que ele faz, no meio de um cardume imenso de mulher bonita, várias olhando para ele? Trava, não faz nada!
Caros leitores, gostei tanto da metáfora, tão bem acabada, precisa e cafa que redigi  toda essa postagem somente para registrá-la. 

Saudações canalhas e cafajestes  

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Postagem na maior parte inédita e em menor parte(mas igualmente importante) repostagem



11:30 da manhã de segunda-feira. Este escriba lutava para concluir a escrivinhação de uma matéria chata pacas sobre um tema chato pacas, mas que ele, como profissional de comunicação que é, aceitou e tinha de produzir no prazo combinado, pois são esses trabalhos sacais que garantem a maior parte dos cobres que sustentam seus hedonismos; situação vivida eternamente por muitos profissionais do ramo neste país cada vez menos varonil, aliás.
Eis que o telefone toca, pulo da cadeira de surpresa e o atendo, para ouvir uma voz a um só tempo melíflua e sarcástica do outro lado da ligação:
- E aí, boca doce?
Rio bastante (assim como o sujeito do outro lado da linha) e comento: 'se alguém grampeou a linha e está nos escutando pensará coisas bem estranhas e pejorativas a nosso respeito.' Rimos mais um pouco e repassamos os acontecimentos da última noite de sexta-feira, em que fui abordado não por uma, mas por nada menos que três criaturas da noite, três mulheres (em momentos distintos da noitada, cumpre relatar) para lá de estranhas no comportamento, no trato com o homem desejado. E o curioso é que em termos de beleza e outros encantos(qualidade do beijo, aparente capacidade de entabular uma conversa interessante  e outras cositas mas ), as moças eram um crescendo: a primeira mostrou-se um verdadeiro ser abissal, tão estranha era, ao passo que a última, ainda que bastante bêbada, iluminou e salvou a noite - me comprometo a escrever e publicar uma postagem apenas sobre as três moçoilas, em que as avaliarei em detalhes, cobre-me a respeito!
Bem, e eu meu amigo - o colaborador mor desta tranqueira - repassamos a noite, comentamos e refletimos sobre os acontecimentos (ele também viveu situações memoráveis) e entoamos, mais uma vez, sempre e para sempre, um de nossos mantras, que já foi publicado antes no blog, em dezembro de  2014,daí o título desta postagem:

Madame satã forever!!

Sem mais, 

saudações canalhas e cafajestes 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Assimetrias

Há algumas semanas, jogava conversa fora com uma conhecida e parceira de copo em um dos únicos bares da rua Angústia que consigo frequentar (tenho de ser justo, aliás, o trecho anterior faz com que frequentar esse bar soe como uma infeliz desdita movida por pura falta de opção e não é assim; pelo contrário, é meu 'buraco' favorito na referida rua).
Pois então, eu e essa moça, uma blueseira e tanto, que ainda por cima arrasa em canjas com os músicos que tocam no referido bar, discutíamos o comportamento humano na noite de São Paulo contemporânea, ela se queixava da falta de inteligência e classe dos homens, eu reclamava da falsidade e burrice das mulheres em geral - e um concordava com o outro, sem restrições, importante registrar. Eis que em dado momento reparamos em uma assimetria interessante, a respeito dessa grosseria que grassa entre as pessoas, ao caírem na noite: se um homem é grosseiro com uma mulher, ao abordá-la, a garota tem todo o direito e o dever de escorraçá-lo de maneira no mínimo proporcional à falta de educação dele, isso é aceito e até mesmo incentivado; se um cara dá um chega para lá veemente ou ríspido em uma garota desagradável, vulgar ou sem educação (e não preciso me alongar a respeito, caros leitores, essas mulheres existem, e aos montes!), ele é visto por todos ao redor com no mínimo um ar de suspeição, quando não censura mesmo e tem de se explicar sobre o porquê de sua atitude. Conclusão a que nós dois chegamos sobre o tema: essa cultura está errada?Não de modo nenhum, temos, homens e mulheres, todo o direito de afastarmos com a devida assertividade gente incômoda, mas é curioso como a reação das pessoas a essa reação, de acordo com o sexo de quem a pratica, é desigual. Estou a reclamar de uma injustiça?Também não, apenas aponto uma curiosidade  que tinha me passado despercebido e que mostra que por mais justas que sejam as reivindicações das feministas racionais (e são justas), elas quase sempre ignoram detalhes, sutilezas e peculiaridades das relações humanas.

Saudações canalhas e cafajestes

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Um brinde à criatividade para com as palavras!!

Há poucos dias participei de uma beberagem noturna sem fins canalhísticos ou sexuais; apenas um encontro de um grupo de amigos que trabalhou em uma mesma, digamos, instituição, e que se querem muito bem. A maioria desses amigos encontro com frequência e regularidade, apenas dois deles, um casal que tratamos com a reverência de mestres que são, eu não via há um bom tempo, um ano ou mais.
Pois bem, depois de meras duas horas passadas, muitas garrafas de cerveja consumidas, muitas bobagens e risadas proferidas, no meio da noitada, a mulher desse casal conta, com grande humor e desprendimento, um episódio ocorrido, faz uns bons anos, a seu consorte, que é um excelente professor de humanidades.
Nosso amigo lecionava em um então conhecido e importante colégio particular de São Paulo. Eis que um belo dia o coordenador pedagógico lhe incumbe de uma missão: apresentar a escola e passar dicas e orientações sobre o magistério a uma bela mocinha recém-chegada a São Paulo e recém-formada, uma professora no auge da juventude e no alto de sua inexperiência(apenas profissional, como atestarão logo abaixo), e, característica distintiva principal: sobrinha de um dos donos do estabelecimento, com tudo que estava subentendido nessa informação...
Lá foi nosso destemido e paciente amigo ensinar os macetes, atalhos e manhas da profissão para a mocinha, realmente inexperiente, um tanto deslumbrada, mas bastante rápida em aprender e capturar os meandros do que lhe era ensinado. A necessidade e interesse dela pelas orientações cresceu e ela sugeriu um horário determinado, em uma sala qualquer da escola, para essas 'aulas', ao que ele atendeu prontamente, claro. E então, no final de uma das aulas, chegou o grande momento: ela perguntou quanto ele cobraria por cada hora dispendida com ela pelas aulas que se mostraram tão interessantes e úteis. Ele ficou algo constrangido e disse que ela não devia nada a ele, que o 'chefe' o incumbira disso e ele o fez com prazer, para auxiliar uma colega novata. E eis que a mocinha vinda do interior responde: " Não, por favor, você va cobrar e receber por essas aulas sim. Vamos combinar assim: pago por essas horas o valor que se cobra para passar uma noite inteira em  uma suíte de um motel de alto nível daqui de São Paulo, que tal?" 
Nosso amigo, como é de se prever, ficou de fato constrangido, desconversou e saiu dessa com o máximo de finesse possível (cumpre anotar que não é um cafajeste ou canalha, como este escriba).
Caros leitores, a frase dita pela mocinha é ou não é uma pequena obra-prima, uma joia da insinuação por meio de um uso brilhante de meras palavras?Somente as mulheres para levarem essa arte a tal epítome!!! Vocês sempre serão melhores que nós vis homens com as palavras e agradecemos e rogamos por isso.

Saudações canalhas e cafajestes

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Texto fútil, curto e inútil

Como todo escritor, seja um verdadeiro artista ou um completo medíocre(categoria em que este escriba se coloca), tenho várias ideias que no calor do momento(ou seria mais correto afirmar, no entusiasmo alcoólico em plena madrugada) soam brilhantes, profundas, grandes revelações sobre a patética condição humana, que não resistem a um exame acurado feito à luz do dia por uma mente em ressaca mas lúcida. 
Pois bem, já fiz um sem-fim de anotações, ao fim da madrugada, ou mesmo ao dia claro, sobre acontecimentos que vi ou vivi durante minhas incursões noturnas, anotações que tiveram, submetidas a escrutínio minimamente cuidadoso, o limbo destinado às ideias tolas. Sim, caros leitores, esse escriba possui autocrítica e sanidade, mão mais que uma mancheia de cada, mas as possui e sabe usá-las, como ocorreu recentemente.   
Já algumas semanas ocorreu: primeiros raios de sol despontando no céu e  adentrei minha toca. Ainda sob efeito do álcool, fiz uma anotação agarranchada e incoerente, sob uma situação desagradável vivida poucas horas antes, causada por uma conhecida de anos, que sempre dizia me ter em alta conta. A dada anotação ficou ali, na mesa de meu escritório/estúdio, rolando, aparecendo a minha vista com insistência, como que exigindo atenção, que eu lhe desse um destino, qual fosse. Pois após ler a garatuja algumas vezes, refletir sobre o evento nela resumido e principalmente pensar sobre a moçoila, elaborar e (re)elaborar na minha danificada mente um possível texto, por fim descartei a anotação e a possível postagem nesta tranqueira, por um motivo muito simples, límpido e verdadeiro: a sujeita não merece uma postagem no Noites Cafajestes e Alguns Dias Canalhas. Eu poderia narrar e discorrer sobre sua falta de educação, sobre porque mais uma vez ela mostrou a má fama que angariou nos picos de rock do Centro, já há anos, mas não escreverei nada além disso sobre ela, porque repito, caros leitores, ela não merece. Há pessoas tão medíocres e pouco inspiradoras, que causam reações tão encovadas e mesquinhas nas pessoas que têm a infelicidade de topar com elas, que não merecem nem mesmo uma postagem nesta tranqueira.
Saudações canalhas e cafajestes

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Descobertas feitas em mesas de bar e registradas em guardanapos - LXVII

"Cada um tem suas trevas particulares."

Observação feita pelo colaborador mor desta tranqueira, durante uma noitada daquelas. Foi sua tirada sagaz sobre a compulsão de nós dois por determinado tipo de mulher-encrenca(cada um com suas preferências ou perversões, que fique registrado), cujos problemas que elas nos trazem invariavelmente poucos meses depois relembramos entre risadas, em noitadas posteriores. Ou seja: o mais macabro pode e deve, graças à  sabedoria que algum distanciamento temporal traz, ser tratado com humor, ser visto como mais uma minúscula peça da comédia humana. E assim fazemos, portanto, caro leitor, leia essa frase em chave cômica.

Saudações canalhas e cafajestes        

domingo, 1 de janeiro de 2017

O preço de se ter princípios





Significado de paladino, do dicionário Caldas Aulete:
(pa.la.di.no)
sm.
1. Fig. Aquele que defende algo ou alguém com esforço e coragem (paladino da justiça)


Há cerca de duas semanas eu e um companheiro de noitadas, importante colaborador desta tranqueira, nos embrenhamos mais uma vez em nosso antro favorito, no porão em que protagonizamos muitas de nossas mais memoráveis cafajestadas noturnas. 
Pois bem, já há tempos uma bartender abrilhanta um dos bares do antro - justo seria afirmar, aliás, que ela abrilhanta todo o estabelecimento. E nós, claro, desde que reparamos na bela moça, a tratamos com o devido respeito, afinal ela está em horário de trabalho, trabalhando, enquanto nós lá adentramos para nos divertir! mas também nos mostramos corteses, galanteadores na estreita medida que a situação permite, sempre deixamos claro nosso apreço não só ao bom atendimento de bar que ela presta aos frequentadores, mas também demos deixa que sua beleza também é muito apreciada por nós.
Na noite em questão, o que ocorre? Ela adentra o local pouco depois que chegamos, acompanhada de um séquito de belas amigas, como se naquela noite ela fosse uma simples frequentadora, o que ela de fato era: noite de folga, resolveu desfilar pela penumbra do antro para beber, dançar, espairecer e nada mais! Claro que  fizemos o possível para nos fazermos notar por elas; e claro que mais uma vez subestimamos os desejos, a decisão e a coragem femininas! Elas nos notaram antes que  nós sequer as avaliarmos com alguma atenção, assim não transcorreu muito tempo até que um pequeno e divertido incidente ocorresse na pista, incidente que não passou de um engraçado mal-entendido que terminou bem para este escriba, evento que em breve será aqui relatado. E quanto ao amigo canalha? Bem, devido ao citado pequeno incidente, ele teve chance de travar um contato mais próximo com a moça, a linda bartender. Segundo seu relato, ela mostrou-se uma garota que não está à procura de relacionamento 'sério' 'estável' - sinto urticárias somente por digitar esses termos! - mas que também não lhe interessa 'sacanear' ninguém, nem ser sacaneada.' A conversa, segundo o protagonista, corria muito bem, mas ele não se conteve, foi-lhe impossível mentir descaradamente para tão bela e adorável moça, mesmo que o desejo e a possibilidade de desfrutar da companhia e beijos - e quem sabe mais o quê, ao fim da noite - fossem imensos: ele revelou, em um acesso de sinceridade extrema, que é.... casado. 
O interesse da moça por ele não morreu ou murchou, apenas recolheu-se. Ela lamentou bastante a situação e retornou ao grupo de amigas; de uma delas, mais tarde, eu soube que 'seu amigo estava com minha amiga no papo, ela ficou frustrada mas ao mesmo tempo contente com a honestidade dele. Uma pena!'
Alguns dias depois, repassando os acontecimentos dessa noite por telefone, ele fez uma observação para lá de espirituosa: 
"Pois é, bicho, ao mesmo tempo que a beleza e jeitinho da menina me encantaram, me fizeram ser sincero ao extremo. Banquei o cavalheiro totalmente certinho e correto. Tive um acesso de paladinismo noturno!"
Rimos muito por causa do termo que ele forjou, muito sagaz e preciso, e ele recomendou que o episódio fosse eternizado neste compêndio de cafajestice e patetices noturnas;assim, aí está.

Saudações canalhas e cafajestes, um 2017 repleto de putarias, aventuras, noitadas, bebidas, canalhices e hedonismo a todos os leitores deste blog.